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algo na mata


Era noite e o breu tomava conta dos matagais cortados pelas estreitas estradas de terra. Ao longe, algumas das casinhas, distantes umas das outras, insistiam com o lampião aceso. Na escuridão o silêncio se quebrava com o coaxar das rãs e o barulho dos grilos. Marina sabia, por mais que tardasse aquela coisa iria se manifestar de novo, em algum lugar, de alguma forma. Sentada atrás da porta velha de madeira, um pouco entreaberta, com a velha espingarda na mão, estava pronta para silenciar os ruídos de toda noite, as baixas no rebanho, o mesmo barulho veloz e assustador no meio da mata.

Poucas horas se passaram, os lampiões de algumas das casinhas já não eram mais vistos, as rãs já não coaxavam como dantes, só de longe ecoava o barulho mais intenso dos grilos. Vieram ruídos e passos bruscos. Marina se pôs em alerta. Levantou-se ela do banquinho e ficou à espreita. Passos se aproximou da casa. Trêmula, mas atenta aos ruídos, buscou lá fora alguma coisa pelas frestas do casebre de madeira. Vagarosamente, pôs-se a contornar a casa por dentro, espiando lá fora. Assim lhe veio o gelar da espinha quando próximo a ela, do lado de fora, olhos vermelhos arregalados na fresta coincidiu com os dela. Marina afastou-se vagarosamente, o coração na boca, as mãos nem iam ao gatilho. Fechou os olhos atemorizada, aguardando aquilo se afastar. Lembrou-se ela das cabeças degoladas dos bois de seu rebanho, dos restos de ovelhas sacrificadas pelo matagal. No ímpeto, abriu a porta rápido pronta para atirar quando viu o vulto adentrando em passos mais largos o matagal meio escuro e meio iluminado pela lua.

Tomada por uma forte vontade de parar aquilo, se pôs em disparada mata adentro, com espingarda em punho, atrás daquilo que até então desconhecia. Naquele instante outro barulho se misturava ao ecoar das rãs e aos ruídos estranhos vindos do matagal. Empunhou a espingarda e sem exitar atirou três vezes para a direção dos passos. Marina aproximou-se e viu, logo à frente, o corpo ferido do fazendeiro vizinho com um revólver do lado. Ela foi até ele, pegou a lanterna caída no chão apressando-se em acudi-lo. Mas ruídos e galopares estranhos sinalizavam: algo ainda se mexia misteriosamente na mata, se aproximava, forçando cuidados extremos. Ergueu-se do chão olhando arrepiada para todos os lados do matagal.

Um silêncio suspeito veio de repente. Deteve-se Marina por um instante num dos lados que vigiava sem se dar conta de que a espingarda havia ficado ao lado do fazendeiro e de que atrás dela, parada, estava a coisa que ela tanto queria pegar. Desarmada, sentiu-se observada e ao virar-se de frente...o ataque.
Acordou Marina assustada no dia seguinte, num quarto do hospital local, com alguns curativos pelo corpo. A noite anterior, o dia da caça.

Comentários

Anônimo disse…
Muito bom meu caro amigo, como conseguiu este texto, tao terrivél...fiquei com medo....kkkkk
To brincando...muito legal...
Beijus
Adoro oce
MAroca
olindo lemos disse…
o texto é de minha autoria maroca. gosto muito de tu tb.

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